É possível formar conselheiros não profissionais para ajudar crianças traumatizadas?
Todos os anos, uma grande maioria de jovens nos Estados Unidos e no mundo enfrenta eventos traumáticos, como violências ou acidentes graves. Essas experiências podem deixar marcas profundas, causando dificuldades emocionais, distúrbios do sono, ansiedade ou até mesmo um sentimento duradouro de tristeza. No entanto, a maioria dessas crianças não recebe a ajuda de que precisa, devido à falta de profissionais disponíveis ou acessíveis.
Uma solução promissora existe: formar conselheiros não profissionais, como professores, voluntários ou assistentes sociais, em um método reconhecido por sua eficácia, a terapia cognitivo-comportamental centrada no trauma. Essa abordagem ajuda as crianças a superarem seus medos e a recuperarem o equilíbrio emocional. Estudos recentes mostram que esse método pode ser adaptado e ensinado a pessoas sem formação médica, desde que sejam acompanhadas de perto.
As adaptações necessárias são frequentemente simples. Por exemplo, as sessões podem ser organizadas em escolas ou centros comunitários, em vez de consultórios médicos. Elas também podem ser mais curtas ou mais frequentes para se adaptarem às restrições dos conselheiros e das famílias. O essencial é preservar os elementos-chave da terapia, como o aprendizado de técnicas para gerenciar o estresse ou expressar as emoções.
Para que isso funcione, uma formação sólida e um acompanhamento regular são indispensáveis. Os conselheiros recebem um ensino prático, com simulações e orientações personalizadas. Em seguida, são supervisionados por especialistas, que os guiam e verificam se as sessões estão sendo conduzidas corretamente. Alguns programas vão além, formando conselheiros experientes para que se tornem, por sua vez, formadores, o que permite atingir um número maior de crianças.
Os resultados são encorajadores: em vários países, crianças puderam se beneficiar dessa ajuda e apresentaram uma melhora notável em seu bem-estar. Essa abordagem não apenas preenche a falta de especialistas, mas também cria um vínculo de confiança com as famílias, muitas vezes desconfiadas dos sistemas de saúde tradicionais.
Ao envolver as comunidades locais na concepção e na implementação desses programas, garante-se que eles atendam às necessidades reais das crianças e de seus familiares. Os conselheiros, provenientes dos mesmos meios, compreendem melhor os desafios enfrentados pelas famílias e podem oferecer um suporte mais adequado.
Esse método poderia transformar o acesso aos cuidados psicológicos, especialmente em regiões onde os recursos são limitados. Ele prova que, com uma boa preparação e um acompanhamento rigoroso, pessoas sem diploma em saúde mental podem desempenhar um papel crucial na recuperação de crianças traumatizadas.
Sources d’information
Référence originale
DOI : https://doi.org/10.1007/s40653-026-00852-z
Titre : Lay Counselor Delivery of Trauma-Focused Cognitive Behavioral Therapy (TF-CBT): A Systematic Review
Revue : Journal of Child & Adolescent Trauma
Éditeur : Springer Science and Business Media LLC
Auteurs : Laura B. Godfrey; Nevita George; Amy Hyoeun Lee